Audiência de custódia: o que é e o que acontece nela
O que acontece nas primeiras horas após a prisão, quem participa da audiência e quais decisões o juiz pode tomar.
Por Charles da Silva Cardoso. Publicado em . Leitura de 3 min.
Em resumo
- Toda pessoa presa deve ser apresentada a um juiz em até 24 horas.
- Na audiência, o juiz examina a legalidade da prisão e se ela precisa continuar, não se a pessoa é culpada.
- O resultado pode ser o relaxamento da prisão, a liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares, ou a conversão em prisão preventiva.
O que é a audiência de custódia
A audiência de custódia é o momento em que a pessoa presa é levada, pessoalmente, à presença de um juiz logo após a prisão. Ela está prevista no artigo 310 do Código de Processo Penal, com a redação dada pela Lei nº 13.964/2019, e em tratados internacionais de direitos humanos assinados pelo Brasil.
Sua finalidade é dupla: permitir que um juiz verifique rapidamente se a prisão foi feita dentro da lei e decidir se existe motivo real para manter a pessoa presa enquanto o caso é investigado. Também é a oportunidade de relatar eventuais maus-tratos ou abusos sofridos no momento da prisão.
Qual é o prazo
A lei determina que a audiência ocorra em até 24 horas após a prisão. Esse prazo existe para evitar que alguém permaneça preso sem que um juiz avalie a situação.
A audiência é obrigatória na prisão em flagrante e, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, deve ser realizada também nas demais modalidades de prisão, como a preventiva e a temporária decretadas por mandado.
Quem participa
- o juiz, que conduz a audiência e decide;
- o Ministério Público, que se manifesta sobre a prisão;
- a defesa, feita por advogado constituído ou pela Defensoria Pública;
- a pessoa presa, que pode conversar reservadamente com a defesa antes da audiência.
O que o juiz analisa
A audiência de custódia não é o julgamento do caso. O juiz não decide se a pessoa é culpada ou inocente. As perguntas se concentram em:
- como a prisão aconteceu e se foram respeitados os direitos da pessoa presa;
- se houve violência ou tratamento indevido;
- as condições pessoais, como residência, trabalho e responsabilidades familiares;
- se há necessidade concreta de manter a prisão ou se medidas menos graves são suficientes.
A pessoa presa tem o direito de permanecer em silêncio, e é comum que a defesa oriente a não comentar os fatos investigados nesse momento.
Quais decisões podem ser tomadas
Ao final da audiência, o juiz deve, de forma fundamentada:
- relaxar a prisão, quando ela for ilegal;
- converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, quando presentes os requisitos do artigo 312 do CPP e se outras medidas cautelares forem insuficientes; ou
- conceder liberdade provisória, com ou sem fiança, podendo impor medidas cautelares como comparecimento periódico em juízo, proibição de frequentar determinados lugares ou monitoramento eletrônico.
A lei não permite que o juiz decrete a prisão preventiva por conta própria, sem pedido do Ministério Público ou representação da autoridade policial.
Por que a defesa técnica faz diferença
As primeiras horas após a prisão são decisivas. A defesa pode reunir rapidamente documentos que demonstrem residência fixa, trabalho e vínculos familiares, apontar ilegalidades no flagrante e argumentar pela suficiência de medidas cautelares diversas da prisão.
Se a prisão for mantida, a decisão pode ser questionada por pedido de revogação ou por habeas corpus. Veja também o artigo sobre prisão preventiva e liberdade provisória.
Se um familiar foi preso
Anote o local para onde ele foi levado, o horário da prisão e, se possível, separe comprovante de residência, carteira de trabalho ou declaração do empregador. Esses documentos costumam ser úteis já na audiência de custódia.
Este artigo tem finalidade informativa e reflete a legislação e os entendimentos consultados na data de publicação. Regras e interpretações podem mudar, e cada situação depende de análise individual.
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